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Vale do Taquari - A paralisação nacional dos caminhoneiros ganhou força ontem, segundo dia de protestos. Os pontos de concentração de profissionais da categoria receberam mais adeptos e novos bloqueios foram registrados. No Vale do Taquari, em pelo menos seis municípios ocorreram manifestações: Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Estrela, Lajeado, Muçum e Paverama. A mobilização vai continuar por tempo indeterminado.

img greveEm Arroio do Meio, agricultores passaram com tratores pelo Centro e pararam em frente a Prefeitura. A mobilização foi pacífica. Conforme Luis Nos, a motivação para o ato foi a indignação com a alta carga tributária e dos combustíveis. "O diesel está muito caro. Não se consegue mais produzir. Estamos só pagando e o governo roubando lá em cima, ficando com o nosso dinheiro. Isso gera revolta no colono", afirma.

Foto: Bárbara Lansing

Em Lajeado, o movimento dos caminhoneiros iniciou-se às 6h. Proprietário de uma transportadora e um dos organizadores do protesto, Domingos Piovesani (43) destaca que a concentração dos motoristas em um posto desativado, à margem da BR-386, próximo do acesso ao Bairro Conventos, já reúne cerca de cem participantes com seus caminhões. "Tem profissionais autônomos e também de empresas." Ele explica que os manifestantes convidam outros motoristas para aderir. "Vamos desviando o trânsito para os caminhoneiros, assim todos se concentram na rua lateral. Aos poucos vamos liberando alguns veículos."

Piovesani reafirma que o principal motivo da mobilização é o preço dos combustíveis. "Cada pouco aumenta, e isso não dá para aceitar." Com 35 anos de estrada, Antonio Soldi (54) também fala sobre os problemas com o valor do frete. "Deveria haver um valor mínimo. Outra questão é os pedágios que nos cobram muito. A gente quase gasta mais do que recebe." Ele recorda que as dificuldades da categoria iniciaram há cerca de 10 anos. "Lembro de participar de uma manifestação como esta há uns três ou quatro anos. A luta já acontece faz tempo."

De acordo com Piovesani, o protesto, que está no segundo dia, segue por tempo indeterminado. "Estamos ficando direto e, por isso, vamos nos ajudando, principalmente com alimentação. Cada um traz junto algo e tem também mercados que nos fornecem comida." Para chamar atenção de quem passa no local, foram feitos cartazes e ateado fogo em uma pilha de materiais.

Foto: Thaís Presser

Preço cai nas refinarias

No final da manhã de ontem, a Petrobras divulgou que hoje o preço da gasolina cairá 2,08% nas refinarias, enquanto o diesel terá redução de 1,54%. A queda no custo da gasolina ocorre depois de 11 aumentos consecutivos nos últimos 17 dias. Com as elevações, o preço acumulou alta de 16,07% nos primeiros 21 dias do mês. Já o diesel teve sete aumentos consecutivos. Desde o início do mês, a alta acumulada é de 12,3%.

O anúncio da redução dos valores nas refinarias foi feito um dia depois do início da greve dos caminhoneiros contra o aumento do diesel.

Sindicato vai à Justiça

Com o agravamento da retenção de cargas nas estradas gaúchas na tarde de ontem, o Sindicato da Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) informa que parte de seus associados pode interromper a captação de leite de produtores em diferentes regiões do Estado. O Sindilat informa que ingressou com ação judicial para garantir o livre trânsito dos caminhões que transportam leite cru. O pedido está embasado no artigo 5, inciso XV, da Constituição Federal que prevê o direito à livre locomoção e circulação no território nacional. Também pontua o artigo 170 do texto constitucional, que garante o livre exercício da atividade econômica.

Associação de Proteína Animal demonstra preocupação

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também se manifestou sobre as paralisações nas estradas do país. Representando mais de 140 agroindústrias e entidades vinculadas à avicultura e suinocultura, a ABPA estabeleceu um comitê de crise para levantamento de informações sobre os problemas causados pelo movimento nas estradas.

De acordo com a entidade, "relatos de associados indicam que os bloqueios impedem o transporte de aves e suínos, ração e cargas refrigeradas destinadas ao abastecimento de gôndolas no Brasil ou para exportações." A ABPA alerta que, "a continuar esse quadro, há risco de falta de produtos para o consumidor brasileiro. Animais poderão morrer no campo com a falta de insumos." A associação aponta que há unidades produtoras com turno de abate suspenso e contratos de exportação podem ser perdidos, além da possibilidade de aumento nos custos logísticos com a reprogramação de embarque de cargas. "Os prejuízos para o setor produtivo são incalculáveis", afirma o texto.

A ABPA diz apoiar as motivações da paralisação, mas entende que o movimento deve preservar o fluxo dos alimentos e dos insumos para a produção. "É de conhecimento nacional a grave crise enfrentada pela cadeia produtiva de proteína animal, que há meses luta para preservar os postos de trabalho do setor. Impedir a continuidade da produção poderá gerar consequências graves para todo o país, especialmente nos pequenos municípios onde o sistema produtivo está instalado", encerra o comunicado.

Sindilat pede urgência na solução de bloqueios

O Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) divulgou nota solicitando rápida resposta do governo ao pleito dos caminhoneiros. Conforme o texto, a paralisação dos profissionais "está represando cargas de produtos perecíveis da cadeia produtiva nas vias gaúchas e já compromete a atividade fabril nesta terça-feira."

Segundo o Sindilat, sem a liberação dos veículos, os laticínios gaúchos ficam impossibilitados de realizar a captação de 12,6 milhões de litros de cru em 65 mil propriedades rurais do Estado. "O leite é um produto vivo e sujeito a rígidas normas de captação. Se os veículos não chegarem às propriedades dentro do prazo, os produtores terão sua produção descartada, um prejuízo gigantesco para um setor que vive momento de dificuldade ímpar em sua história", destaca o texto.

A entidade afirma compreender a legitimidade da manifestação e se solidariza com o movimento dos caminhoneiros. O Sindilat solicita, em caráter emergencial, que governo e autoridades competentes negociem com manifestantes a flexibilização para o livre trânsito de caminhões de leite, carregados ou não. A nota frisa que estes veículos estão devidamente identificados para a finalidade, conforme prevê a Lei do Leite.

Congresso anuncia "Cide zero"

Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaram que o governo vai zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) cobrada sobre os combustíveis. Os parlamentares informaram que os recursos que poderão ser obtidos com o projeto que reonera setores da economia, ainda em tramitação no Congresso, serão usados para reduzir o impacto sobre o aumento do preço do diesel.

Em suas contas pessoais no Twitter, Maia e Eunício disseram que a decisão foi acertada com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. O presidente da Câmara esclarece: "Nós tínhamos feito a proposta de zerar a Cide, e o presidente me deu a informação de que, para o diesel, ele vai zerar a Cide". Até o fim da manhã de ontem o ministro considerava "reduzido" o espaço para diminuir os tributos dos combustíveis. A equipe econômica do governo, no entanto, confirmou a negociação para zerar a Cide sobre o diesel.

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